27 de dezembro de 2010


Ternura

Vinicius de Moraes


Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.


Texto extraído da antologia "Vinicius de Moraes - Poesia completa e prosa", Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1998, pág. 259.

21 de dezembro de 2010


Quando penso lembro bem
Foi muito bom te conhecer
Sei que você nem pode imaginar
Que eu gostei tanto de você
Esta ficando difícil te esquecer
Você ficou tão viva em minha memória

É estranho dizer
Mas pouco a pouco
A saudade me abraça
E o desejo de estar ao teu lado não passa
É o que me faz pensar sempre em você

Meu anjo!
Teu par de olhos são para mim duas estrelas cintilantes
Que mesmo distantes
Possuem uma atração sem fim
Vejo nos teus olhos minha inspiração
Posso sentir em você meu verso mais puro
Mais brilhante ou o mais próximo do infinito sem fim.

10 de dezembro de 2010


O que me deixa bobo
É pensar que em uma simples manha que acordo
Percebo que tudo muda dentro de mim
Possuo-me pensando em você
E pensar que acreditei que nada mudaria em mim
Esse Teu ser marcante
Tomou conta de uma parte de mim
E agora meu corpo tem delírios quando fica pensando em ti
Eu quero Mais, quero fazer das fantasias momentos reais
Quero fazer de você minha Paz
Fazer de você meu cais, de salvação ou de perdição
Onde aflora este meu anseio que implora
De ter somente pra mim
O teu coração

2 de dezembro de 2010



Tão longe, mas tão perto
Discreto eu te observo
Seus olhos e seus olhares
São como fonte de tentação
Mulher assim é como armadilha para meu coração
Seu cheiro se espalha com vento que passa em seus cabelos
Esse seu olhar é pouco pra mim
Eu não resisto aos teus mistérios
Teus lábios para mim são labirintos
Que insistem em perturbar os meus instintos
E eu entro nessa primavera sem flor
Minha alma não me deixa mentir
Tudo isso é um ponto sem fim dentro de mim