5 de outubro de 2010

Viver de Poesia



O que me dá gosto é saber que o tempo não volta. Amanhã e depois de amanhã nunca mais serei eu. Poetas são sábios de segundos. Não sobrevivem para ver o poema crescer. O meu consolo é que o amanhã acordará de nuvens carregadas de antigas paixões. Talvez eu morra de saudade mas, sinceramente, eu prefiro morrer de poesia. Sim, é preciso morrer de poesia e viver um poema a cada dia. Quem vive um poema a cada dia sabe o encanto de um nascer do sol, e sabe que o amanhã pode trazer todas as cores da estação, ou não. Quem vive um poema a cada dia sabe que na poesia existe um segundo escondido no espaço do tempo. A gente chama isso de esperança.